Num excelente texto, Stanley Fish, distinto Professor de Direito, dá-nos uma ideia clara e rigorosa de qual deve ser o papel de um professor universitário. Eu diria que o mesmo se aplica a um professor de qualquer nível de ensino. Segundo Fish, um professor não deve tomar a seu cargo a tarefa de resolver os males do mundo, mas introduzir os alunos em áreas de conhecimento que eles não conhecem e, ao mesmo tempo, equipando-os com capacidades analíticas que lhes permitam, posteriormente, lidar com diversas leituras.

O professor não deve ultrapassar a linha das suas funções e tentar inculcar nos alunos uma perspectiva moral sobre a realidade: sendo de esquerda, não deve tentar levar os alunos a cumprir uma agenda progressista, sendo de direita não deve ensinar os alunos a ser patriotas, tementes a Deus, a defender a família ou a tradição...

Esta atitude de distanciar a actividade da docência da de uma actividade panfletária ou endoutrinadora é uma princípio moral que o professor deve respeitar. Um professor deve ensinar os alunos a pensarem por si mesmos, a descobrir os seus pontos de vista ou a saber analisar e criticar os pontos de vista dos outros. Se o professor for capaz disso, terá cumprido a sua missão... Na sua vida o professor deve ser política e moralmente activo e empenhado. Enquanto docente, deve dar aos seus alunos a oportunidade de descobrir o seu próprio caminho... Se assumirmos uma posição destas, não nos estaremos a alhear das nossas responsabilidades sociais e éticas? A resposta é não:

"In fact, my stance is aggressively ethical: it demands that we take the ethics of the classroom – everything that belongs to pedagogy including preparation, giving assignments, grading papers, keeping discussions on point, etc.– seriously and not allow the scene of instruction to become a scene of indoctrination. Were the ethics appropriate to the classroom no different from the ethics appropriate to the arena of political action or the ethics of democratic citizenry, there would be nothing distinctive about the academic experience – it would be politics by another name – and no reason for anyone to support the enterprise. For if its politics you want, you might as well get right to it and skip the entire academic apparatus entirely.

My argument, then, rests on the conviction that academic work is unlike other forms of work — if it isn’t, it has no shape of its own and no claim on our attention — and that fidelity to it demands respect for its difference, a difference defined by its removal from the decision-making pressures of the larger world."

Staney Fish, NYT

 

Publicado por JF, no sítio: http://www.pensamentocritico.com/index.php?option=com_content&task=view&id=7&Itemid=2

 

 

Actualizado em (Domingo, 11 Setembro 2011 19:37)